quarta-feira, abril 03, 2019

Casa do Tempo, Ultramar

Aquele, que mesmo depois de tanto
Ainda se faz desconhecido, sibilino
Silencioso manto onipresente
Perene rio de águas escusas

Mesmo depois de tanto, aquele
Permanece perene, portanto, inocente
Quem dera pudesse ser divino
Nos libertasse de vidas reclusas

E mesmo além de si mesmo
Me permite ainda existir
E neste soneto te saudar

És tú, ó Tempo incerto
Que outros barcos tanto afundou
Neste mar, faz das águas o seu lar.

segunda-feira, março 11, 2019

Calabouço interno

Ele acorda.
ocupa em diagonal sua cama de casal.
se sente vazio, mas não afogado
se sente calmo, mas não em paz.

Ele pensa.
Onde foi toda alma que se tinha
toda fala, virou mudo
surdo, cego, sem fé.

Mas o mundo não se fecha mais.
Nem é escuro.
Apenas é.

Ele não sabe quem é.
Ou como será,
ou como dirá.
O homem prende a si mesmo.

Se mantém preso
a uma outra realidade
uma outra instancia de seu proprio ser

E agora ele quer viver,
mas não sabe como.
Não sabe se pode soltar-se
depois de tantos anos presos
em sua propria memória.

Não é o passado
ou o depois.
É o agora
que o prende,
que o sufoca.

E o ciclo não demora.
A alma que se solta hoje
amanhã a prender-se volta.
E o homem não sabe
se chora,
se passa mal,
ou se sente raiva.

Sentir-se mal por si mesmo
é libertacão,
é corrente presa nas mãos,
é ficar perdido
entre o que é real
e o que a mente devaneia.

Ele pensa:
"Talvez se eu desatar nó por nó
um dia essa alma caminha por si só.
Vazia, porém livre,
livre pra ser o caminho que quiser".

sábado, fevereiro 25, 2017

Doce Adeus

Se eu quero o que não tenho mais,
ou se foi apenas minha ideia do que eu queria ter,
ambos sentimentos não me fazem bem,
eu me sinto vazio, não tenho porquê.
Me sinto um copo cheio de dúvidas,
cheio de mente, cheio de alma,
mas vazio de substância,
vazio de vontade.
Minha vida não se resume a você,
nem a mim. Não mais.
Talvez se eu deixasse levar e ver no que dá.
Talvez se eu parasse tanto de pensar,
de procurar você e o sentimento que eu tinha contigo
em outras almas que não tem nada a ver com a história toda,
mas eu sinto que perdi parte de mim
e procuro essa parte em todo lugar,
em todo beco sem saída, eu paro e tento contemplar
minha parte de alma perdida.
Eu sinto tanto e não vejo nada.
Eu deixo você, hoje, em meu passado.
Deixo esse passado enterrado, sem flores, sem dor.
Talvez uma pequena pitada de rancor, de ódio,
mas nada que o tempo não apaga mais.
Não é sobre você, não mais.
É sobre mim e minha paz.
Sobre mim e meu espirito ferido querendo voar.
Sobre minha poesia querendo ser escrita novamente.
Sobre o que eu sou a partir de hoje.
E não sobre o que já foi, ou o que pode ser.
Eu me deixo levar por querer,
tento soprar ventos procurando prazer,
e aí sim vamos ver.
E aí sim...
eu não sei bem o quê.

segunda-feira, novembro 07, 2016

Entre flutuar e se afogar

Sinto que eu devia parar de sentir;
parar de pensar, parar minha mente um instante
e viver,
viver esse instante.
Ser amante de alguém,
não esperar nada
além de acordar,
manhã por manhã.

Sinto que eu devia parar de escrever,
mesmo que eu já não saiba mais escolher as palavras,
que meu talento esteja perdido em minhas mágoas.
Meu amor
sem palavras,
sem amor,
sem nada.

Sinto que cada dia que acordo remoendo,
perco um pouco mais pras dores que sinto.
Físicas e mentais,
concretas e perceptuais.
Não sou eu aqui,
nem eu ali.
Não sei
onde estou.

Sinto que não posso mais perder tempo,
muito menos saúde de espírito,
nem mais um amigo.
Ou me perder no caminho,
tentar encontrar um destino?
Apenas seguir,
sem chorar,
nem sorrir.

Sinto, meu talento está perdido em algum lugar,
que minha essência vai acabar por brilhar.
Serei mais que um vulto,
uma sombra
do que eu era,
do que eu sou;
diminuta,
quase muda.


quarta-feira, abril 15, 2015

Desmotivo e ação

E o de
sa
nimo

Palavra simples, de significado preguiçoso.
E a preguiça me olha de novo
com esse olhar de quem não quer.
E eu não quero.

Já desbravei mares, já escalei montanhas;
hoje sou apenas uma entranha,
um suspiro do que passou.

Que passou e levou,
passou e levou.
Levou,
mas não vou.

Fico no aconchego de meu lar
esperando a decência chegar
pra levantar de minha cama.

Fico pra cá e pra cá,
sem me movimentar
esperando algo que me salve.

Salve.
Me procure e me salve.
Me veja e grite,
dê-me vergonha na cara.

Dê-me a palavra certa,
a frase correta pra dizer.
Dê-me o sorriso sincero
na esfera trincada de meu ser.

Hei de ser esse ser,
libertar toda a minha força
e mudar o meu destino.

Amanhã de manhã.
Depois de amanhã à tarde.
Antes tarde,
do que nunca...

quarta-feira, setembro 03, 2014

Nothing at all

Between my feelings, and the distance between us
There is this certain, the bright side of you and me still exist
And did not fade even slightly
My smile while seeing you on a electronic block of communication
It is real, it is a smile of someone hoping to feel warm again.
Hoping to see you.

While writing is becoming difficult
While staying alone all the time makes me feel the emptiness on my life
You, my small little girl, makes me want to learn.
Learn how to survive feeling good about myself.
Learn how to live without you, and then be stronger with your heart on my side.

Then, when I feel sleepy, and want you in my bed with me.
I can feel your heart, and live alone would not sound so hard anymore.
I will tell the truth.
You are 90% of the reason of my life right now.
And the lonelier that I get, the bigger your part on my life become.

I want us to become one.
I want me to stay happy
To get closer to the perfection that I could be.
But while I wrote this, all I could think was:
"How hard writing could be for an ex writer?".
And felt sad for losing the ability to speak with my fingers.
To put words on my mind.

I know how I feel, I know what I want, I know what you want.
I just do not know how to get on the point
That I do not need anything at all
To make a smile, to love the man I am.
I just hope that you still love that
The confusing life that you will get with me.

I just hope that I can find myself
Before you get sick of me trying.

quinta-feira, maio 15, 2014

Amor Incompleto

Eu ouço os segundos passando,
mas sei que não é o tempo de verdade,
porque já faz uma eternidade,
que por você estou esperando.

Eu vejo o desabrochar das flores,
mas sei que não é a primavera,
porque meu coração não acelera,
não mais quer saber de outros amores.

Eu sinto a chuva cair escorrer no meu rosto,
mas sei que esta chuva não cai do céu,
porque os versos que escrevo neste papel,
representam apenas um sentimento suposto.

Eu digo que pro amor não tenho coragem,
mas sei que nem a mim eu engano,
porque eu quero dizer que te amo,
assim que nossos corações se encontrarem.